sábado, 4 de maio de 2013

As cartas não sumiram e um dia eu as abri.

Cansei de vê-las tão unidas e amassadas sempre na mesma gaveta. Não ocupavam tanto espaço, mas eu não aguentava mais olhar pras letras ainda fechadas. Foram muitas as oportunidades que eu tive de abri-las. E nunca me faltou coragem para tal ato. Nem faltava tempo. Havia tanto tempo de sobra, onde eu as contemplava. Já eram amarelas, já tinham certa idade e pareciam me encarar. Criaram vida no meu quarto, na gaveta, em minha imaginação. E um dia, ou melhor, em uma noite, eu as abri. Era sim a letra dele disso eu não duvidava, o jeito de se expressar também. Nada meigo nada rude, era só ele e suas palavras. Li com sua voz ecoando em minha mente, li presenciado cada movimento que ele pode ter feito. Frases explodiam, frases maiores ainda que seus olhos castanhos. E eu as lia diminutivas, eu lia: aquelas moças não eram nossas filhas, só poderiam ser. Uma delas tinha seu sorriso. Ele sabia tão bem ser magnífico. Não as li aleatoriamente pela data de envio e isso fez com que você morresse antes de ver as flores que combinariam com meu vestido de bolinhas azuis. E você em umas delas dizia:não daríamos certo porque eramos errados, mas as flores combinariam tão bem com você, com seu vestido já tão velho quanto eu estou agora.A última carta aberta me trouxe um pequeno e feliz susto, você me dizia descaradamente ter quebrado nosso acordo: eu fui mais fraco, te li ontem, você ainda é linda e agora tem cabelos brancos. Deve andar devagarinho. Seríamos ótimos companheiros em uma caminhada pelo parque. Tem um esplendido jacarandá no jardim vizinho à minha casa. Sabe amor, talvez teríamos sido ótimos companheiros de caminhada.Reli, agora de mim mesma a frase: teríamos sido ótimos companheiros de caminhada.

Nathaly Oliveira.

2 comentários:

Ana Alves disse...

Ótima escrita!
Ana
http://umlivroenadamais.blogspot.com.br/

Delírio Literário disse...

Que bom que gostou (:

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